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As lições de Marie Kondo, guru mundial da arrumação da casa

Escrito por: J.Bianchi
Dicas para o seu novo lar

Autora de um best seller sobre o tema que acaba de sair no Brasil, a consultora japonesa conta a VEJA.com por que a organização doméstica faz bem para a alma e até para o corpo das pessoas – e dá suas dicas para vencer a bagunça renitente


Autora de A Mágica da Arrumação, manual que ocupou o topo da lista de best sellers de autoajuda do The New York Times e agora chega ao Brasil, a japonesa Marie Kondo fala sobre os segredos da organização doméstica

Aos 5 anos, a japonesa Marie Kondo percebeu os primeiros indícios de que não era uma menina comum. Enquanto os colegas de escola preferiam brincar ou fazer ginástica, a tímida Marie gastava seu tempo arrumando as prateleiras de livros da sala de aula e o armário em que se guardavam vassouras e material de limpeza. Ela não apenas cumpria de forma diligente a tarefa para a qual fora a única voluntária. Logo desenvolveu uma visão crítica sobre a questão: sempre pensava consigo mesma como os métodos de organização deixavam a desejar. Marie cresceu, mas a obsessão não passou. Ao contrário: durante a adolescência, após passar cinco anos como atendente de um templo xintoísta, aprofundou sua convicção sobre a necessidade filosófica de descartar o supérfluo e ater-se somente aos itens essenciais para a vida. Aos 19 anos, ocorreu o episódio decisivo que a transformaria na maior guru mundial de uma atividade desafiadora: a arrumação da casa. Certo dia, corroída pela dúvida sobre quais objetos deveria guardar ou descartar, Marie teve um colapso nervoso. “Desmaiei por duas horas. Quando acordei, consegui enxergar com clareza a resposta para minha dúvida: nós devemos manter ao nosso lado apenas os objetos que nos dão alegria. Tudo o mais é dispensável”, disse ela a VEJA.com por telefone, de Nova York, na semana passada.

Aos 30 anos, Marie tem voz de garotinha, não pronuncia uma palavra em inglês e se revela meio envergonhada. Mas não se engane: ela é uma estrela absoluta no Japão – e está em processo acelerado de se tornar uma celebridade também nos Estados Unidos e na Europa. Quem sabe, aliás, até no Brasil. Marie é autora de quatro manuais de aconselhamento sobre organização doméstica que venderam mais de 2 milhões de exemplares. O principal deles, A Mágica da Arrumação, ocupou recentemente o topo da lista de best sellers de autoajuda do jornal americano The New York Times e acaba de ser lançado no país pela Sextante (tradução de Marcia Oliveira; 160 páginas; 24,90 reais e 16,99 reais na versão em e-book). Nos livros ou em suas aparições frequentes na TV japonesa, Marie defende o potencial libertador de colocar as coisas em ordem. “Arrumar a casa não tem nada de prosaico: é uma decisão capaz de revolucionar nosso estilo de vida e mudar nosso modo de pensar. Ao organizar seus pertences, a pessoa reencontra seu foco e faz as pazes com ela mesma”, diz.

Marie iniciou sua carreira no ramo da arrumação como consultora particular. Entre tantos casos perdidos, conseguiu debelar a bagunça de um cliente de Tóquio que vivia numa casa de três andares tão entulhava de bugigangas que não se enxergava mais um palmo do chão ou das paredes. “Levei quase dois anos para organizar tudo. Joguei fora 60% dos objetos”, diz. Hoje, em razão da agenda internacional lotada, Marie mantém uma lista fechada de clientes e não aceita novas inscrições. Pretende, em vez de se devotar pessoalmente a isso, formar um exército de arrumadores para espalhar pelo mundo sua fórmula de organização doméstica. O Método KonMari, descrito no manual que acaba de sair no Brasil, pressupõe alguns mandamentos radicais para alcançar o sucesso na empreitada (confira no quadro abaixo). Baseia-se em dois fundamentos: a necessidade de reavaliar tudo que se tem em casa para descartar sem dó os itens inúteis e a reorganização do espaço segundo categorias bem definidas.

Para além de sua eficácia, o que torna as ideias de Marie irresistíveis é a maneira como ela mescla dicas práticas de desapego por velhos itens e arrumação de gavetas com autoajuda motivacional. No livro, ela oferece bordões ligeiros como “o melhor lugar para guardar uma bolsa é dentro de outra” e “desfaça-se dos manuais de instrução, pois eles não servem para nada”. Ao mesmo tempo, porém, sua sacada é vender de forma inspiradora uma noção que faz todo sentido: a organização faz bem para alma – e até para o físico. “O espaço onde você mora afeta seu corpo”, recita ela a toda hora no livro. Na sua visão, quando se faz uma desintoxicação da casa, ocorre também um efeito “detox” no corpo e na mente de seu dono. “Ao se desfazerem do excesso de roupas, meus clientes perdem volume no abdômen. Quando descartam livros e documentos, passam a raciocinar com mais clareza. Ao reduzir o número de cosméticos e organizar a bancada da pia, a pele fica mais iluminada e macia”, diz.

Ensinamentos assim falam fundo à alma de seus conterrâneos. O interesse dos japoneses pela organização dos lares vem de longe, e tornou-se ainda mais agudo em razão da falta de tempo e espaço dos moradores de megalópoles como a Tóquio contemporânea. É compreensível que a arrumação seja tópico de intenso debate em revistas e programas de televisão no país. Mas a causa de Marie tem, é evidente, um valor universal. Apresenta-se também como antídoto para certo problema social (quando não, em casos extremos, psiquiátrico): a tendência de muitas pessoas de se converter em acumuladores compulsivos de qualquer coisa. Inspirada pela doutrina oriental do feng shui, Marie garante que exercitar o desapego e a organização traz a felicidade. “A arrumação é uma forma de autodiálogo”, diz. Não só um diálogo surdo, frise-se: para melhorar as vibrações domésticas, ela costuma dar bom-dia para sua casa, além de afagar suas bolsas e agradecer seus sapatos por seus préstimos diários. Um lugar bem arrumado, como se vê, fica cheio de vida.

OS DEZ MANDAMENTOS DA ARRUMAÇÃO DA CASA, SEGUNDO A GURU JAPONESA MARIE KONDO

1. Arrume tudo de uma vez. Organizar a casa é promover uma revisão do estilo de vida e do nosso jeito de pensar. Isso requer uma ruptura radical. Acreditar que se pode arrumar uma gaveta por vez, empurrando o restante da tarefa com a barriga, é uma armadilha que leva à frustração.

2. O primeiro passo é descartar. As pessoas guardam coisas na ilusão de que serão usadas um dia ou por preguiça de avaliar se são relevantes. Reúna todos os itens parecidos, como roupas e livros, e faça uma limpeza sem dó: não raro, 60% daquilo que acumulamos é inútil

3. Jogue tudo que não lhe traz alegria. Só vale a pena guardar aquilo que realmente for usado ou tem um valor sentimental de fato. Sabe aquela blusa que você ganhou, mas não gosta muito e só mantém no guarda-roupa por pudor em se desfazer? Perca o temor: é já para o lixo (ou a doação)

4. Separe as coisas por categoria. Um erro comum é distribuir itens do mesmo tipo – como roupas, livros ou papéis – por vários cômodos e armários. Organizar tudo por categoria permite ter uma noção global dos pertences e evita o surgimento de novos focos de bagunça

5. Dê visibilidade às coisas. Empilhar roupas e livros é arrumar sem critério: com o tempo, muitos itens sem utilidade acabam esquecidos no fundo das gavetas e estantes. Organize com a lógica de uma biblioteca, fazendo com que todos os pertences fiquem acessíveis e à vista

6. Deixe itens sentimentais por último. Começar a arrumação por fotos de família e souvenirs amplia a chance de insucesso: as pessoas gastam tempo em considerações emotivas e perdem o foco do essencial. Ataque primeiro os pepinos mais óbvios e volumosos, como as roupas

7. Evite a intromissão dos parentes. A presença de mães, avós e irmãos pode ter um impacto psicológico negativo nessas horas: na cabeça deles, pode parecer inadmissível ver você jogando certos itens fora. Muitas vezes, a solidão é a melhor aliada na hora de arrumar a casa

8. Prefira o silêncio. Arrumar a casa é, em certa medida, um exercício de revisão interior. Televisão ligada, música alta e conversa fiada abalam a concentração necessária para a tarefa. Marie Kondo recomenda, no máximo, ouvir música instrumental amena – e em baixo volume

9. Não compre produtos especiais para organização. É enganoso achar que a bagunça acabará apenas colocando tudo dentro de caixas divisórias e afins. Se sua casa é desarrumada, esses produtos supostamente milagrosos não serão apenas inúteis: vão se somar à bagunça

10. No dia-a-dia, siga um ritual para lidar com os objetos. Ao chegar em casa, por mais cansado que você esteja, resista à tentação de ir largando as roupas pelo chão e de entulhar o sofá com bolsas e outros itens. Só relaxe depois de colocar cada coisa em seu devido lugar


Fonte: http://veja.abril.com.br/entretenimento/as-licoes-de-marie-kondo-guru-mundial-da-arrumacao-da-casa/

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